quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Estudo relaciona doenças em guardas de endemias a agrotóxicos



Tremor é o distúrbio do movimento mais frequente na população e pode estar associado à exposição a agrotóxicos. Doenças hematológicas, dermatológicas, pulmonares, neurológicas, câncer, malformações congênitas, entre outras, também podem estar associadas a essa exposição. O Brasil, como o maior consumidor de agrotóxicos do mundo desde 2008, em grande parte à custa da indústria agrícola, movimentou, entre 2010 e 2011, a receita de US$ 8,5 bilhões e o consumo de 936 mil toneladas, o que representou 19% do mercado global de agrotóxicos nesse período. Os principais grupos profissionais expostos aos agrotóxicos são os trabalhadores do setor agropecuário, saúde pública, firmas desinsetizadoras, transporte e comércio, indústrias de formulação e síntese e área veterinária.

É o que revela o artigo dos pesquisadores Marlos Fábio Alves de Azevedo, da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz); e Armando Meyer, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O objetivo do estudo foi avaliar a chance de tremor essencial em 442 guardas de endemias do Estado do Rio de Janeiro expostos a agrotóxicos. Foram selecionados 51 casos e 204 controles, com idade média de 49 anos. Os resultados indicam que aqueles com 16 a 16,9 anos de aplicação de agrotóxicos foram os que estiveram sob maior chance de apresentar a doença.

De acordo com o artigo, o tremor acomete mãos e antebraços, mas pode se manifestar em outras partes do corpo. “Clinicamente, o tremor essencial tende a ter uma evolução lenta durante os anos, e algumas comorbidades podem estar associadas. Dentre elas, têm sido descritas alterações cognitivas, transtornos de humor e da marcha. Alguns estudos observaram que indivíduos com tremor essencial têm quatro vezes mais chance de desenvolver parkinsonismo. São doenças distintas com mecanismos e patologias diferenciadas; entretanto, é frequente haver sobreposição dessas doenças, o que torna o seu diagnóstico e tratamento desafiadores.”

Os autores do artigo dizem que são poucos os estudos que avaliaram a relação entre tremor e exposição a agrotóxicos. O estudo sobre a saúde dos agricultores norte-americanos, realizado nos estados de Iowa e Carolina do Norte, entre 1993 a 1997, ainda é a principal referência no que se refere a essa relação. Baseado em questionários autoaplicados, estimou uma prevalência de tremor em 5% daqueles trabalhadores. O estudo realizado em agricultores canadenses também observou uma chance elevada de tremor naquela população. Apesar do possível equívoco devido à coexposição a metais (chumbo e mercúrio), aqueles agricultores apresentaram maior chance de desenvolver tremor quando comparado a dois grupos controles. 

Por outro lado, informam os pesquisadores, o estudo realizado em controladores de pragas e vetores de empresas privadas do Estado da Carolina do Norte não observou associação significativa. Apesar do referido estudo também ter utilizado dois controles distintos, a presença de trabalhadores jovens e com pouco tempo de aplicação de agrotóxicos pode ter influenciado na ausência de associação significativa. Da mesma forma, em outro estudo, realizado entre agricultores sul-africanos, também não foi observada associação entre tremor e exposição a agrotóxicos. Nesse estudo, apesar de utilizarem dois indicadores distintos para estimar a exposição acumulada a agrotóxicos, a pouca idade dos agricultores envolvidos e o baixo tempo de aplicação podem ter contribuído para a ausência de associação. Por fim, a exposição a agrotóxicos organoclorados também não esteve associada ao aumento de chance de tremor essencial em estudo caso-controle realizado em Manhattan, cidade de Nova York (EUA).

Segundo o estudo brasileiro, em média, a idade dos trabalhadores portadores de tremor essencial foi de 51 anos e está abaixo da média da maioria dos estudos que avaliam essa doença. “A precocidade da doença é um aspecto frequentemente encontrado em doenças ocupacionais.” Conforme informam os pesquisadores, os trabalhadores estudados eram bastante experientes e, em sua grande maioria, já haviam passado por inúmeras campanhas e múltiplas exposições químicas. No momento da confirmação diagnóstica, a maioria dos casos de tremor essencial era leve a moderado, com o tempo médio de início da doença de 5,3 anos, e poucos trabalhadores tinham a indicação de tratamento medicamentoso.

Já os casos de alcoolismo, que têm conhecido efeito deletério sobre o sistema nervoso central e periférico, foram excluídos da amostra. “Semelhante a outros resultados na literatura, observamos que o etilismo estava associado ao tremor essencial. A literatura ainda discute o real papel do etilismo social para essa doença, haja vista que clinicamente pequenas doses de álcool podem minimizar o tremor e, nos primórdios dos critérios de classificação, era considerado um sinal clínico para o seu diagnóstico.”

Foi observado também na pesquisa um potencial efeito protetor do tabagismo nos trabalhadores portadores de tremor essencial. “Esse efeito protetor é corroborado pela literatura vigente. Em modelo experimental de parkinsonismo em ratos, a nicotina apresentou-se como protetor neuronal por meio da indução de fatores neurotróficos”, explica o artigo.

O artigo Tremor essencial em guardas de endemias expostos a agrotóxicos: estudo caso-controle foi publicado na revista Cadernos de Saúde Pública, em agosto de 2017.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

SINTSAUDERJ vai ajuizar ação judicial em favor dos contaminados

O SINTSAUDERJ convoca todos os trabalhadores e trabalhadoras que atuam no combate as endemias e que já possuem laudo médico atestando contaminação por inseticidas para comparecerem as Sedes do sindicato munidos deste documento, assim como, de cópias das carteiras de identidade, CPF e comprovante de residência para ajuizamento de ações judiciais cobrando que o governo pague tratamento médico e indenização por danos a saúde do trabalhador.

As ações judiciais serão acompanhadas pelo Escritório Cezar Brito Associados que presta assessoria para o SINTSAUDERJ.

Negociação coletiva completa organização sindical do servidor


A Comissão do Trabalho na Câmara dos Deputados deu mais um passo no sentido de ampliar e fazer avançar o debate em torno do PL 3.831/15, do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), que regulamenta a negociação coletiva no serviço público. O projeto já foi aprovado pelo Senado (PLS 397/15), e na Câmara, já teve pareceres terminativos favoráveis aprovados pelas comissões de Trabalho; e de Constituição e Justiça. Porém, recurso contra a decisão conclusiva da CCJ apresentado pelo deputado Alberto Fraga (DEM-DF) pode levar o projeto à votação no plenário.
Fotos: Will Shutter | Câmara dos Deputados
Ctasp audiencia neg.coletiva
Em audiência pública realizada, nesta terça-feira (17), pela Comissão de Trabalho, representantes de servidores públicos defenderam a sanção presidencial imediata do projeto de lei que disciplina a negociação coletiva no serviço público da União, dos estados e dos municípios.
A sanção do projeto de lei, que foi objeto de amplo acordo entre as centrais sindicais no Senado, visa estruturar o tripé da organização sindical dos trabalhadores públicos, que com os direitos de sindicalização e de greve se completaria.
A retirada do recurso foi um dos principais pontos de audiência pública a pedido da deputada Erika Kokay (PT-DF). Kokay disse que vai trabalhar com a perspectiva de que deputados que apoiaram o recurso retirem suas assinaturas para permitir o envio da proposta ao presidente Michel Temer.

Leia mais:

Economia para o Estado
Para Rudinei Marques, do Fórum de Carreiras Típicas de Estado (Fonacate), o recurso apresentado é um retrocesso. Ele destaca que o texto votado no Senado e na Câmara foi a construção possível.
“Ela [a proposta] traz economia para o Estado. Hoje, um processo administrativo custa em torno de R$ 50 mil. O PL 3.831 garante uma mesa permanente de resolução de conflitos. Com isso, se elimina esse gasto desnecessário.”
Oportunidade ímpar
Na ocasião, o diretor de Documentação do DIAP, Antônio Augusto de Queiroz, que participou do debate manifestou a necessidade de regulamentação da matéria, a fim de se avançar “porque trata-se de oportunidade ímpar para os servidores públicos”.
Antonio Augusto Toninho Diap
Ele lembrou ainda que o orçamento do governo está sob a vigência da Emenda à Constituição (EC) 95/16, que institui o novo regime fiscal com crescimento real zero da despesa não financeira por 20 anos, determina que o ajuste nas contas públicas será feito apenas pelo lado da despesa. Eventual aumento de receita não poderá ser gasto com despesa primária ou corrente, devendo ser integralmente destinado à redução do déficit ou à criação de superávit primário.
Queiroz destacou que houve uma mudança significativa no governo. Houve uma mudança de paradigma. “O governo anterior atuava no sentido de promover a inclusão social. O atual prioriza garantia de contratos com o setor privado, a garantia de propriedade, da moeda e a contratação de prestação de serviços públicos no setor privado”, comparou.
No projeto do atual governo não há compromisso para prestar serviços de qualidade à maioria da população. Por fim, o diretor do DIAP lembrou que será importante regulamentar a negociação coletiva porque o Congresso Nacional poderá aprovar a demissão de servidor concursado por insuficiência de desempenho. Ele se referiu ao PLS 116/17, em discussão no Senado, e o PLP 248/98, do governo FHC, em fase final de aprovação na Câmara para posterior envio à sanção presidencial.

Fonte:DIAP

Funcionalismo: Pressão para elevar contribuição previdenciária


O Povo     -     18/10/2017

A equipe econômica do Governo Federal busca apoio para aprovar aumento da contribuição previdenciária dos servidores federais de 11% para 14%. A proposta foi anunciada há dois meses, mas há resistências

Em contrapartida à tramitação no Congresso de um reforma de Previdência mais enxuta, a equipe econômica do Governo Federal quer apoio para conseguir aprovar o aumento de contribuição previdenciária dos servidores públicos federais. A proposta de elevação da alíquota de 11% para 14% foi anunciada há dois meses, mas enfrenta resistências do funcionalismo que tem forte poder de pressão com senadores e deputados. O projeto nem mesmo chegou ao Congresso Nacional.

O Governo considera fundamental a medida para começar a reforma no funcionalismo e quer garantias de que o projeto será aprovado até o fim do ano. Para começar a valer o aumento da alíquota, é necessário o cumprimento de um prazo de noventa dias.

Na semana passada, lideranças políticas começaram a articular com integrantes do Governo uma emenda aglutinativa, espécie de texto alternativo ao parecer do deputado Arthur de Oliveira Maia (PPS-BA) aprovado em uma comissão especial da Casa em maio.

A apresentação da emenda será feita logo após a votação da segunda denúncia contra o presidente Michel Temer (PMDB) na Câmara dos Deputados. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, já havia admitido em agosto a possibilidade de redução da proposta de reforma da Previdência.

O ponto inegociável, segundo o Governo, é manter a idade mínima de 62 anos para mulheres e 65 anos para homens. Mas as lideranças querem fazer ajustes no tempo mínimo de contribuição (de 25 anos, pelo texto da comissão) e na regra de transição.


terça-feira, 17 de outubro de 2017

Simulador de Aposentadoria da Controladoria-Geral da União (CGU)



A Controladoria-Geral da União (CGU) desenvolveu uma ferramenta para simular aposentadoria para servidores públicos, inclusive estaduais e municipais, previstas constitucionalmente.

O objetivo inicial é facilitar a auditoria e a fiscalização dos processos de concessão de aposentadoria dos servidores regidos pela Lei 8.112/1990. Para fazer sua simulação, acesse www.cgu.gov.br/Simulador/Index.asp.

O relatório gerado pelo simulador não tem eficácia legal e nem pode ser utilizado como documento para iniciar processo de concessão de aposentadoria ou de abono de permanência, tratando-se apenas de uma ferramenta que permite ao servidor público verificar as regras constitucionais de aposentadoria e uma data provável, de acordo com os dados incluídos no simulador, que são de inteira responsabilidade do servidor.


Faça a sua simulação aqui:


sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Malathion figura na lista da OMS de substâncias que causam câncer

Malathion causa câncer segundo Organização Mundial de Saúde(OMS)
A Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC, sigla em em inglês), é em agência especializada da Organização Mundial da Saúde com o objetivo de promover a colaboração internacional em epidemiologia, laboratórios, bioestatística na identificação de causas e proposição de medidas preventivas para a doença.
As Monografias IARC são publicações que analisam e identificam fatores ambientais que podem aumentar o risco de câncer humano. Estes incluem produtos químicos, misturas complexas, exposições ocupacionais, agentes físicos, agentes biológicos, e os fatores de estilo de vida . Tais informações são propostas como apoio científico por suas ações para evitar a exposição a potenciais agentes cancerígenos. Grupos de trabalho interdisciplinares de cientistas especializados preparam revisões de estudos publicados, avaliando o peso da evidência de que um agente pode aumentar o risco de câncer. Os princípios, procedimentos e critérios científicos que norteiam as avaliações são descritos no preâmbulo das monografias do IARC .
Recentemente, a IARC divulgou o volume 112, tratando de inseticidas organofosforados e herbicidas. O herbicida glifosato e os inseticidas malathion e diazinon foram classificados como provavelmente carcinogênico para humanos (Grupo 2A). O inseticidas tetraclorvinphos e paration foram classificados como possivelmente cancerígeno para os seres humanos (Grupo 2B).
Acesse a publicação Lancet Oncology ou leia o resumo da monografia IARC.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

É inconstitucional o Projeto de Lei que prevê a demissão de servidor público por insuficiência de desempenho

Por Luís Fernando Silva, advogado (OAB/SC 9582) e membro do SLPG
Nos últimos dias a imprensa nacional tem dado grande alarde à aprovação, pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado Federal, do Projeto de Lei do Senado nº 116/2017, que regulamenta a possibilidade de demissão de servidores públicos por insuficiência de desempenho.
Semelhante proposta legislativa - a par das flagrantes inconstitucionalidades que encerra, como veremos mais adiante -, traduz o momento político vivenciado pelo País, no qual o pensamento neoliberal vem ganhando força e promovendo toda sorte de reformas legislativas voltadas a reduzir o aparelho de Estado (sobretudo nas áreas de interesse social), privatizando serviços públicos e retirando direitos dos trabalhadores de maneira geral (dentre os quais os servidores), tudo com a finalidade de favorecer ainda mais os interesses dos grandes grupos financeiros que dominam a economia do Brasil e do mundo.
Em que pese a crítica política que deve ser feita à aludida iniciativa legislativa, entretanto, é preciso reconhecer que de fato a Emenda Constitucional nº 19, de 1998 (enviada ao Congresso Nacional pelo então Presidente Fernando Henrique Cardoso), realmente modificou o art. 41, da Constituição Federal, para nele inserir o Inciso III, estabelecendo que o servidor estável pode perder o cargo caso não venha a obter aprovação em avaliações periódicas de desempenho, a serem regulamentadas em Lei Complementar.
Assim, mesmo havendo previsão para demissão por insuficiência de desempenho desde 1998, o fato é que o mencionado dispositivo constitucional pende de regulamentação desde aquela data, há cerca de 19 (dezenove) anos, razão pela qual não pôde até hoje ser utilizado pela administração para promover as referidas demissões.
À vista disso, e pretendendo regulamentar a matéria, a Senadora Maria do Carmo Alves (DEM/SE) resolveu tomar a iniciativa de propor, em abril deste ano, o Projeto de Lei do Senado nº 116, dispondo sobre o assunto e suprindo a lacuna regulamentar.
Ocorre que apesar de (no mérito) a possibilidade de demissão de servidores por insuficiência de desempenho contar hoje com previsão constitucional, conforme vimos antes, é preciso ter claro que a regulamentação do respectivo dispositivo constitucional deve observar outras normas que emanam da própria Constituição Federal, como é o caso do Art. 61, § 1º, II, “c”, que atribui exclusivamente ao Presidente da República a prerrogativa de propor leis dispondo sobre assuntos relativos aos servidores públicos da União e Territórios, seu regime jurídico, provimento de cargos, estabilidade e aposentadoria.
Logo, se a Constituição estabelece que apenas o Presidente da República pode apresentar proposta legislativa em que as matérias como as descritas acima - dentre as quais inequivocamente está a regulamentação da previsão constitucional de demissão de servidores por insuficiência de desempenho -, descabe a qualquer Parlamentar, seja Deputado ou Senador, propor tais matérias, sob pena de incorrerem em inconstitucionalidade formal, que chamamos de “vício de iniciativa”, invalidando o Projeto de Lei que hajam proposto.
É exatamente isto que ocorre com o PLS nº 116/2017, que foi indevidamente proposto por uma Senadora para regulamentar matéria relativa à estabilidade dos servidores públicos, cuja iniciativa é exclusiva do Presidente da República.
Demais disso é de ver, ainda, que o PLS nº 116/2017 contém outra inconstitucionalidade, qual seja o fato de pretender regulamentar a demissão por insuficiência de desempenho não só dos servidores públicos federais, mas também dos servidores públicos dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, com o que ofende a autonomia dos entes federados, prevista no art. 39, da Constituição Federal, que atribui a estes a competência para regulamentar as matérias relativas aos respectivos servidores.
Por fim, também quanto ao seu mérito é possível apontar imperfeições que beiram nova inconstitucionalidade, em especial naqueles pontos em que o Projeto de Lei permite um tal grau de subjetividade na avaliação sobre o desempenho dos servidores, que implicaria em ofensa ao princípio da impessoalidade (CF, art. 37), configurando aqui uma inconstitucionalidade material.
O Projeto em questão encontra-se agora na Comissão de Assuntos Sociais do Senado, aguardando designação de Relator para a discussão interna, após a qual deve seguir ainda para a Comissão de Direitos Humanos e para a Comissão de Transparência e Governança, de modo que uma vez aprovado nestas Comissões seguirá para o Plenário do Senado, onde precisará da maioria absoluta dos Senadores (41 votos) para lograr aprovação. Caso aprovado no Senado, o Projeto de Lei seguirá para a Câmara dos Deputados, para o respectivo processo de análise no interior daquela Casa Legislativa.
Ao final de todo este percurso, e caso o referido Projeto de Lei venha mesmo a ser aprovado pelo Congresso Nacional, as entidades sindicais representativas de servidores públicos questionarão sua constitucionalidade diretamente ao Supremo Tribunal Federal, alegando ofensa aos já comentados artigos. 61, § 1º, II, “c”, e 39, caput da Constituição Federal (inconstitucionalidades formais), e art. 37, da mesma Carta da República (inconstitucionalidades materiais).
Em que pese a possibilidade de tal questionamento judicial, entretanto, pensamos ser fundamental que os servidores lutem para impedir que o Projeto de Lei em questão seja aprovado pelo Senado e posteriormente na Câmara, para o que é imprescindível que se mobilizem e sigam rigorosamente as orientações expedidas por suas respectivas entidades sindicais representativas em relação às políticas a serem adotadas neste sentido.

SINTSAÚDERJ realiza Seminário Estadual para discutir saúde dos agentes de endemias


Técnicos e pesquisadores debateram com agentes os problemas de uso de produtos químicos, as doenças que podem atingir estes servidores e os direitos garantidos a estes trabalhadores



  
Dando continuidade à sua política de defesa dos direitos da categoria, o SINTSAÚDERJ - Sindicato dos Trabalhadores no Combate às Endemias e Saúde Preventiva no Estado do Rio de Janeiro realizou, em 02/10, o “Seminário Estadual Saúde dos Trabalhadores no Combate às Endemias do Rio de Janeiro”. O evento, que aconteceu na sede da ABI – Associação Brasileira de Imprensa, na Capital Fluminense, reuniu cerca de 600 trabalhadores e teve como prioridades abordar temas importantes à saúde destes profissionais e contribuir na definição de estratégias para garantir seus direitos. A atividade teve parceria com a CUT – Central Única dos Trabalhadores e a CNTSS/CUT – Confederação Nacional dos Trabalhadores em Seguridade Social.

Participaram das mesas de debates Jorge de Almeida Cúrcio, diretor Divisão de Saúde do Trabalhador e CEREST/RJ; Lídia Grisólia Fernandes, chefe Divisão de Gestão Administrativa (NERJ); Cynthia Maria Simões Lopes, procuradora Regional do Trabalho do Ministério Público do Trabalho; dr. Luiz Cláudio Meirelles, pesquisador da FIOCRUZ; dr. Luiz Carlos Fadel de Vasconcelos, do Departamento Direitos Humanos, Saúde e Diversidade Cultural - DIHS/ENSP/FIOCRUZ; dr. Ferdinando Nobre, advogado Trabalhista e Previdenciário; dr. Aderson Bussinger, mestre pela UFF, advogado Trabalhista e conselheiro da OAB/RJ; professor João Paulo Machado Torres, do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho da UFRJ; Sandro Alex de Oliveira Cezar, secretário-Geral do SINTSAÚDERJ e presidente da CNTSS/CUT; e Luiza de Fátima Dantas, do SINTSAÚDERJ.

O Seminário pretendeu contribuir para que os agentes de endemias pudessem expor suas realidades de trabalho e fazer os questionamentos necessários para sanar suas dúvidas sobre os produtos químicos que utilizam diariamente no desenvolvimento de suas tarefas e os possíveis desdobramentos que podem causar para a saúde. Desta forma, técnicos e especialistas na área de saúde do trabalhador, além de profissionais de advocacia, dialogaram com os trabalhadores para que pudessem entender seus direitos. É notório o grande número de casos de doenças graves, como o câncer, que acometem estes trabalhadores em virtude da manipulação destes produtos químicos. De acordo com estudos, os agentes de endemias pertencem à segunda categoria de profissionais mais expostos aos males dos inseticidas, perdendo apenas para os trabalhadores rurais.

O SINTSAÚDERJ sempre acompanhou os casos de trabalhadores que têm suas saúdes afetadas por conta da função que desempenham. Um trabalho que envolve, inclusive, o setor Jurídico da entidade. O que se verifica em várias cidades do Estado, e que também é comum a muitos municípios do país, é a falta de estrutura para que os trabalhadores desempenhem suas funções com todos os equipamentos necessários para sua segurança. Outro fator de agravo de doenças é a falta de uma política nos municípios que garantam a realização de exames médicos periódicos. Os recursos enviados pelo Ministério da Saúde nem sempre são utilizados para garantir a segurança adequada para estes trabalhadores. O Sindicato tem buscado juridicamente levar esta situação para que a Justiça tome conhecimento e possa contribuir para a resolução dos problemas.

Capacitando para qualificar a luta



O dr. Luiz Carlos Fadel de Vasconcelos considera que a iniciativa do Sindicato de promover o seminário foi adequada frente à realidade vivida por estes profissionais. Menciona que há muito tempo estes trabalhadores vêm adoecendo e as autoridades dos diversos níveis federativos continuam agindo com descaso no que diz respeito à proteção e acompanhamento destes servidores. Acrescenta que é preciso que a categoria se mantenha “coesa e maciçamente presente em torno da luta pela saúde” e tenha o acompanhamento das instituições que as defendem.

“Chamar as instituições para uma responsabilidade ainda não plenamente assumida é fundamental. A intersetorialidade (Ministério Público, CEREST, Conselhos de Saúde do SUS, Fiocruz, Universidades, Poder Legislativo, Mídia etc.) é condição imprescindível para conquistar o direito à saúde da categoria. É hora de cuidar da saúde das categorias como um problema da classe trabalhadora. Portanto, é necessário estabelecer articulações sólidas e duradouras entre os sindicatos na luta pela saúde do trabalhador. No Rio de Janeiro existe o Fórum Intersindical que tem esse objetivo e é importante fortalecê-lo (www.multiplicadoresdevisat.com),” destaca Fadel.

Para o pesquisador, é importante investir na capacitação dos trabalhadores para qualificar suas lutas. No caso específico dos agentes de endemias esta é uma situação que também pressupõe conquistar o direito a preservação de sua própria saúde. “Para qualificar a luta dos trabalhadores por sua saúde, é fundamental que os dirigentes, as lideranças e, se possível, a grande massa de agentes sejam capacitadas por instituições confiáveis e legitimadas pela classe trabalhadora. É importante haver uma educação permanente em saúde do trabalhador, em modalidades diversas – cursos de atualização, de aperfeiçoamento, seminários, centros de estudos, rodas de conversa etc”, conclui.

Uma agenda de lutas

Sandro Alex observa que o seminário foi um grande momento onde os agentes compareceram em grande número para discutir temas verdadeiramente importantes para a categoria. Para ele, a participação dos trabalhadores com a apresentação de questionamentos e com depoimentos pessoais do dia a dia de trabalho enriqueceram bastante o debate. Segundo o dirigente, “nas discussões realizadas foram apresentadas várias doenças que acometem a categoria. São servidores que trabalham cotidianamente com inseticida e que, com certeza, muitos destes trabalhadores devem ter doenças relacionadas a estes produtos químicos. Foi dito, inclusive, que entidades internacionais classificam o “malation” (inseticida inibidor da acetilcolinesterase que não existe naturalmente) foi incluído na lista de produtos cancerígenos”.

Os técnicos e pesquisadores convidados apresentaram um conteúdo riquíssimo sobre as doenças, os cuidados que os agentes devem ter para cuidar da saúde e, principalmente, como estes servidores devem agir para garantir seus direitos. Sandro Alex vê que além ser um evento de destaque dentro da proposta de política de formação adotada pelo SINTSAÚDERJ, o Seminário também trouxe a definição de uma agenda de trabalho fechada a partir do consenso com os servidores.

“Saímos com uma agenda para fazer a denúncia ao Ministério Público. Vamos entrar com uma ação judicial para pedir reparação na Justiça pela exposição sofrida por todos os trabalhadores, tanto os estatuários mais antigos quanto os mais novos serão beneficiados. Vamos agendar uma reunião na SVS para discutir a questão do exame período de saúde. Estamos discutindo, inclusive, paralisar as atividades caso não sejam dadas as condições adequadas de trabalho. O que não pode é o agente de endemias continuar morrendo da forma como está acontecendo”, informa Sandro Alex.

O dirigente reitera o convite para que os agentes permaneçam atentos a agenda do Sindicato. O Blog do SINTSAÚDERJ manterá as informações atualizadas para o acompanhamento dos trabalhadores. Brevemente será publicado neste espaço um trabalho científico que aponta a possibilidade de uma grande massa de trabalhadores da categoria estar sendo acometida de problemas neurológicos. Trata-se de um trabalho sério feito pela Fundação Oswaldo Cruz. Outro ponto que foi discutido no Seminário e que deve ser acompanhado pelos trabalhadores diz respeito ao ajuizamento das ações judiciais. O Sindicato acredita ser possível fazer brevemente um balanço deste trabalho jurídico. São quase cinco mil representações.

Zé Carlos Assessor de Imprensa da CNTSS/CUT

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Câmara aprova negociação coletiva no serviço públi

Atualmente, a negociação coletiva não é uma prática corrente no serviço público. O Executivo federal possui canais permanentes de negociação, mas sem previsão legal


A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania ( CCJ) aprovou nesta terça-feira (26) projeto de lei que disciplina a negociação coletiva no serviço público das três esferas administrativas (União, estados e municípios).
A proposta (PL 3831/15) é originária do Senado, onde foi aprovada em 2015. O texto recebeu parecer favorável do relator, deputado Betinho Gomes (PSDB-PE), para quem a negociação coletiva deveria acompanhar o direito de greve dos servidores. "Hoje, no Brasil, garante-se ao servidor público o direito de greve, sem lhe assegurar, contudo, o direito de negociação coletiva, o que é um contrassenso, até mesmo porque a negociação coletiva é corolário do direto de greve e do direito de sindicalização", disse.
Como também foi aprovado pela Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público, e tramita em caráter conclusivo, a proposta está aprovada pela Câmara e deve seguir para a sanção da Presidência da República.
Atualmente, a negociação coletiva não é uma prática corrente no serviço público. O Executivo federal possui canais permanentes de negociação, mas sem previsão legal.
Regra


O PL 3831/15 propõe que a negociação coletiva seja a regra permanente de solução de conflitos no serviço público, abarcando órgãos da administração direta e indireta (autarquias e fundações), de todos os poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário), além do Ministério Público e da Defensoria Pública.
Segundo o projeto, a negociação poderá tratar de todas as questões relacionadas ao mundo do trabalho, como plano de carreira, criação de cargos, salário, condições de trabalho, estabilidade, saúde e política de recursos humanos. A abrangência da negociação será definida livremente pelas duas partes. Poderá, por exemplo, envolver todos os servidores do estado ou município ou de apenas um órgão.
Caberá ao ente público definir o órgão que o representará na mesa de negociação permanente, e fornecer os meios necessários para a efetivação da negociação coletiva, como espaço, infraestrutura e pessoal.
A participação na mesa de negociação será paritária. Se os servidores públicos não possuírem um sindicato específico, eles poderão ser representados por uma comissão de negociação, criada pela assembleia da categoria.
Um dos pontos importantes do projeto é a permissão para que os dois lados da negociação solicitem a participação de um mediador, para resolver a questão em debate.
O texto aprovado prevê punição para os dois lados da mesa de negociação quando houver desinteresse em adotar as medidas acordadas. Para o representante de órgão público, esse tipo de conduta poderá ser enquadrado como infração disciplinar. Já os representantes dos empregados poderão ser multados em valor proporcional à condição econômica do sindicato.
Acordo

O PL 3831 determina que será elaborado um termo de acordo após a conclusão da negociação. O texto deverá identificar as partes, o objeto negociado, os resultados obtidos, a forma de implementação e o prazo de vigência. O documento, assinado pelas duas partes, deverá designar o titular do órgão responsável pelo sistema de pessoal.
As cláusulas do termo de acordo serão encaminhadas aos órgãos para imediata adoção. Se a efetivação da cláusula depender de lei – como ocorre em reajustes salariais –, elas serão encaminhadas ao titular da iniciativa da lei (por exemplo, presidente da República ou governador), para que as envie, na forma de projeto, ao Poder Legislativo. O texto poderá tramitar com urgência, sempre que se julgar necessário.

ÍNTEGRA DA PROPOSTA:

Fonte: CD